Siltronic reduz previsão de receita anual e alerta para queda nas vendas

Este artigo foi traduzido e adaptado de uma publicação original em inglês para tornar o conteúdo mais acessível ao público brasileiro. A Siltronic, fornecedora alemã de materiais para semicondutores, anunciou que revisou para baixo sua projeção de receita anual e alertou para um desempenho mais fraco no próximo trimestre. O motivo: a demanda continua em […]

Este artigo foi traduzido e adaptado de uma publicação original em inglês para tornar o conteúdo mais acessível ao público brasileiro.

A Siltronic, fornecedora alemã de materiais para semicondutores, anunciou que revisou para baixo sua projeção de receita anual e alertou para um desempenho mais fraco no próximo trimestre. O motivo: a demanda continua em queda e os estoques dos clientes seguem elevados, pressionando o setor.

A empresa agora espera encerrar o ano com uma queda de receita de “meio dígito” em relação a 2023. Antes, a expectativa era de estabilidade no mesmo patamar do ano anterior.

O impacto também se reflete no mercado financeiro: as ações da Siltronic acumulam queda de 11,3% desde o início de 2024, só no pregão desta terça, o recuo foi de 7%.

Em 2024, a companhia, que fabrica as bolachas de silício usadas na produção de chips, registrou receita de 1,41 bilhão de euros (cerca de US$ 1,63 bilhão), 7% a menos que no ano anterior.

Entre os clientes da Siltronic estão gigantes como Infineon, Intel, Samsung e TSMC. Para o terceiro trimestre, a previsão é de vendas abaixo dos níveis dos trimestres anteriores, já que parte dos volumes de entrega previstos para 2025 foi adiada para o quarto trimestre.

No segundo trimestre, a receita ficou em 329,1 milhões de euros, abaixo dos 351,3 milhões de euros do mesmo período do ano anterior, mas ainda assim acima da estimativa média dos analistas, de 322 milhões de euros, segundo pesquisa da LSEG.

Em teleconferência com analistas, o CEO Michael Heckmeier explicou que os estoques elevados são um problema em toda a indústria de semicondutores. Segundo ele, os fornecedores de materiais têm visto uma redução mais lenta dos estoques dos clientes do que o esperado. “Estamos estáveis, não há indicação de que estamos fazendo significativamente melhor ou pior que nossos colegas”, afirmou.

O cenário também é influenciado pelas incertezas no comércio internacional. Tarifas aplicadas pelo governo norte-americano e dúvidas sobre políticas comerciais têm mexido com os mercados globais e diminuído o otimismo dos investidores. Analistas da Jefferies destacaram que o acordo entre Estados Unidos e União Europeia ainda levanta questões sobre o impacto potencial nas bolachas de silício.

Impacto no Brasil: cadeia de tecnologia e investimentos

O anúncio da Siltronic não afeta apenas seus acionistas na Alemanha. Como fornecedora global de materiais para semicondutores, a empresa está diretamente conectada à cadeia produtiva de chips usados em eletrônicos importados pelo Brasil, de smartphones a carros. Mudanças no ritmo de produção ou no preço desses insumos podem influenciar custos de importação, disponibilidade de produtos e até os prazos de entrega no mercado nacional.

Para investidores brasileiros, a notícia sinaliza cautela. Muitos fundos e empresas locais têm participação indireta no setor de semicondutores, seja por meio de ações de multinacionais ou de startups que dependem desses componentes. A revisão da projeção de receita da Siltronic funciona como um termômetro de que a recuperação do segmento pode demorar mais do que o esperado, exigindo estratégias mais conservadoras.

A economia brasileira também sente reflexos pela via industrial. Diversos setores, especialmente o automotivo e o de tecnologia da informação, dependem de chips importados. Uma desaceleração ou mudança no cronograma de entregas pode elevar custos e pressionar margens, já que as empresas precisam se planejar com mais antecedência para garantir estoques.

Além disso, o anúncio da Siltronic coincide com debates sobre a reindustrialização e a criação de polos de semicondutores no Brasil. A percepção de risco global pode impactar decisões de investimento estrangeiro em plantas locais, adiar parcerias ou redirecionar recursos para mercados considerados mais previsíveis.

Por fim, o movimento reforça a importância de diversificar fornecedores e fortalecer políticas públicas para estimular a produção de insumos estratégicos no Brasil. Ao mesmo tempo em que mostra a vulnerabilidade das cadeias globais, a revisão da Siltronic abre espaço para que o país repense seu papel no ecossistema de semicondutores, atraindo tecnologia, know-how e investimentos para reduzir a dependência externa.

Na semana passada, a ASML, maior fornecedora mundial de equipamentos para fabricação de chips, também alertou para a possibilidade de não alcançar crescimento de receita em 2026, já que os fabricantes de chips que estão construindo fábricas nos EUA aguardam clareza sobre os efeitos das tarifas.

Fonte original: Fast Company

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